desenrolando [ossos por dentro da carne dela]

e vai se desenrolando
esse papel higiênico
falante/pensante
como um tapete
branco para os
pobres poetas
decadentes passarem
com suas asas
de albatroz
que os impedem
de andar por serem
enormes e exuberantes e
com seus corações e mentes
subdivididos em etapas
e prateleiras e pavimentos
e estantes e intantes de paixão e
loucura sobre a areia da praia
adornada com guimbas de
cigarro estilo cowboy gay
galã de novela
das oito linda linda
praia do meu rio
de janeiro que tem
ondas brilhantes de
coca-cola light e
mulheres gostosas fazendo
topless e pés que passam
expressivos como o
expressivo rosto do
pierrô e como o
expressivo desenrolar
desse papel higiênico
falante/pensante que
vai se desenrolando e
é d+ utilizá-lo e usá-lo
e abusá-lo da maneira
correta passando
com poesia no cu para
limpar a angústia e ficar
tudo limpinho limpinho
cantando dançando
com gestos teatrais de
políticas de centro
esquerda e direita que
não fazem diferença
pois são todas
paralelas ou transversais
ou perpendiculares
aos olhares oblíquos
desses pobres poetas decadentes
que podem passar sobre esse
tapete branco com
suas asas de albatroz e
seus ares de
consciência de que
não fazem parte desse
mundo ah e não se esqueça
de dar descarga.

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