primeiros vestígios do silêncio [o pós-parto:]

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recuo do tigre [o pós-parto:]

no silêncio a dor
- veio o disparo inaudível

soube que era livre,
animal frágil, e era
livre sozinho
no silêncio,

a dor

quis a potência, do tigre
recua
-veio o disparo inaudível

no silenciador.

a poça [o pós-parto:]

mergulhava
num céu
afogado
numa poça
espelhada
d`um solo
repleta
d`um céu
transbordante
estilhaçando
em
(luz?)
(luz?)
(luz?)
(sombra?)
(luz?)

coisificação [olho nu]

a palavra "pára"
pára quando eu girto "pára"
para ela parar de parar
a palavra "coisa"
não é exatamente nada mas exatamente
tudo o que eu mandar
a palavra "palavra"
mãe de todas as palvras
não consegue parar de falar
a palavra "nada"
não tem cara pensamento idade tempo
documento pra se apresentar
o palavrão
é canalha vagabundo mau caráter
vive tentando trapacear
a letra agá
sempre muito ignorada e desprezada
porque nunca conseguiu falar
a palavra "som"
é sonora não silencia não cala só fala
não cansa de se expressar
os ruídos
são mendigos não fizeram mestrado
nem doutorado para significar.

duas línguas [olho nu]

eu falo duas línguas: alecrim e bagulho... às vezes eu falo alecrim, às vezes eu falo bagulho... alecrim e bagulho, bagulho e alecrim... quando não estou falando alecrim estou falando bagulho, quando não estou falando bagulho estou falando alecrim... bagulho e alecrim, alecrim e bagulho... há ainda uma terceira língua: silêncio... mas silêncio eu não falo nunca.

ou espirro [o pós-parto:]

espuma

ou esperma,
ou espuma.

xx, xy [ossos por dentro da carne dela]

com meu
cromossomo y
entro entre esse x
e esse outro x
que são duas pernas
maravilhosamente maravilhosas
de brigitte bardot
e entre esse x
e esse outro x
que são duas nádegas
espetacularmente espetaculares
de ivete sangalo
para finalmente chegar ao
extraordinariamente extraordinário á
pice (isso se não der z
bra).